segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Viagens

Releio muito pouco e desconfio das pessoas que dizem que relêem com frequência, há tantos livros que quero ler e nunca vou conseguir, mas volto com alguma frequência ao Zink, ao Agualusa e ao Camus.
Qualquer coisa neles apazigua, ou incendeia, algo em mim. E uma leitura, por vezes, basta-me para me fazer feliz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Desolamento

A noite comunica comigo em assombro,
em espasmos de vida.
Há um cheiro a medo -quiçá desordem -
miséria profunda.

O desabamento de um esqueleto outrora homem.

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Acusam-me de mágoa e desalento/, como se toda a pena dos meus versos/ não fosse carne vossa,/ homens dispersos,/ e a minha dor a tua, pensamento./ Hei-de cantar-vos a beleza um dia,/ quando a luz que não nego abrir o escuro/ da noite que nos cerca como um muro,/ e chegares a teus reinos, alegria./ Entretanto, deixai que me não cale:/ até que o muro fenda, a treva estale,/ seja a tristeza o vinho da vingança./ A minha voz de morte é a voz da luta:/ se quem confia a própria dor perscruta,/ maior glória tem em ter esperança. (Carlos de Oliveira)