domingo, 27 de fevereiro de 2011

Solidão (Vinicius de Moraes)

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.

[Vinicius de Moraes]

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Acusam-me de mágoa e desalento/, como se toda a pena dos meus versos/ não fosse carne vossa,/ homens dispersos,/ e a minha dor a tua, pensamento./ Hei-de cantar-vos a beleza um dia,/ quando a luz que não nego abrir o escuro/ da noite que nos cerca como um muro,/ e chegares a teus reinos, alegria./ Entretanto, deixai que me não cale:/ até que o muro fenda, a treva estale,/ seja a tristeza o vinho da vingança./ A minha voz de morte é a voz da luta:/ se quem confia a própria dor perscruta,/ maior glória tem em ter esperança. (Carlos de Oliveira)